Num debate sobre o Green Shipping realizado no âmbito da Portugal Shiping Week, foi feita a defesa do GNL no transporte marítimo pela generalidade de um painel de oradores que incluiu representantes de portos, de empresas de cruzeiros e da GALP, entre outros
Alphaliner
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O gás natural liquefeito (GNL) é o futuro próximo dos combustíveis no transporte marítimo, num contexto a pouco mais de um ano da entrada em vigor de novas regras sobre combustíveis marítimos impostas pela Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla inglesa). Pelo menos, esta foi a ideia que prevaleceu num debate subordinado ao tema «Green Shipping: oportunidades e desafios no Atlântico», que decorreu esta semana em Lisboa, no âmbito da Portugal Shipping Week.

Como é sabido, as novas regras vão obrigar os navios a um teor de 0,5% de enxofre, contra os 3,5% actuais (excepto em determinadas zonas de navegação, nas quais esta restrição já se aplica). Nessa medida, a indústria marítima, e não só os armadores, pois a medida vai ter impacto nos construtores, no sector energético, nos portos, entre outros, e vai reflectir-se na sustentabilidade das empresas de transporte marítimo, que terão de adaptar os seus navios ou construir novas unidades conformes às novas regras.

Tom Strang, vice-presidente para os Assuntos Marítimos da empresa de cruzeiros Carnival e um dos membros do painel de oradores, admitiu que na sua opinião o “GNL parece ser a energia mais limpa” e que é necessário “diminuir a pegada de carbono” no sector. Considerou que as organizações que já investiram nesta tecnologia fizeram bem e, apesar de reconhecer que “outros combustíveis para os navios são desafios”, lembrou que estão pouco estudados e que carecem de infra-estruturas instaladas, ao contrário do GNL.

Outro orador, Alex Panagopoulos, Chairman da Arista Shipping, empresa dedicada ao transporte marítimo e com representação em Portugal, também considerou o GNL como o melhor combustível para os navios no contexto actual. E lembrou o Project Forward, um projecto promovido pela Arista Shipping, através da Forward Ships desenvolvido entre 2013 e 2015 e destinado a promover o uso do GNL nos navios como solução para diminuir as emissões na indústria marítima. Referiu ainda que, mesmo sem querer fazer previsões, considera que aquilo que fará avançar o GNL será o preço, até porque outros combustíveis serão mais dispendiosos.

Por seu lado, Airam Dias Pastor, Director Comercial da Autoridade Portuária de Tenerife e presidente da Associação de Portos de Cruzeiro do Mediterrâneo, igualmente orador do painel, abordou a questão do GNL no porto de Tenerife, onde se estuda a possibilidade uma fábrica de regaseificação, o papel da associação a que preside – representativa de uma centena de portos de 20 países, por onde passam cerca de 80% dos passageiros de cruzeiro do Mediterrâneo – relativamente a este combustível.

John Ghio, da Autoridade Portuária de Gibraltar, também orador do painel, recordou que o porto de Gibraltar é o principal porto fornecedor de combustível para navios da Europa e do Mediterrâneo (mais de 4,5 milhões de toneladas por ano).

Também no painel esteve Luc Pescio, Director da Ocean Dinamics, que lembrou a dificuldade de investir no abastecimento a GNL. Segundo referiu, as encomendas de navios a GNL implicam grandes transformações na indústria, mas grandes empresas do sector estão a fazê-las. Na sua opinião, o melhor modelo de abastecimento poderá passar por soluções flutuantes, ou seja, a partir de outros navios armazenadores e abastecedores.

Outro orador foi Steve Esau, Director Geral da SEA/LNG, uma organização que reúne vários operadores de GNL em navios em diferentes pontos da cadeia de valor e está vocacionada para promover a utilização deste combustível no transporte marítimo. Reconheceu que face à regulamentação cada vez mais restritiva de emissões pelos navios que se avizinha, “investir no GNL é uma boa alternativa”. E que a longo prazo, o GNL deverá ser a solução para o transporte marítimo, a avaliar pelas tendências que vão sendo reveladas.

Igualmente presente esteve José Carlos Roque, da GALP, que admitiu que a empresa está preparada para responder às exigências internacionais de menor teor de enxofre no combustível marítimo e que “já foram dados alguns passos”. Na sua opinião, em Portugal, o problema do mercado de GNL é a sua pequena dimensão.

 



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