A4F participou em projecto de produção de microalgas de dimensão mundial
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A A4F, empresa especializada em sistemas de produção de microalgas à escala industrial e com uma componente de investigação e desenvolvimento de bio-engenharia associada, encerrou o ano de 2015 com “proveitos de dois milhões de euros” e pode atingir um crescimento de “dois dígitos” em 2016, segundo nos referiu Nuno Coelho, CEO da companhia.

No quadro da sua actividade, a empresa desenvolve “design, construção, operacionalização e transferência para os clientes de soluções tecnológicas e de sistemas para a produção de microalgas à escala industrial, de diferentes espécies e para diferentes aplicações”, explicou-nos Nuno Coelho, adiantando que colaboram com clientes e parceiros “na pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e aplicações inovadoras, com microalgas”.

Face à experiência adquirida, a A4F está apta para apoiar “a concepção e a implementação de estratégias de marketing para a rentabilização económica e a comercialização de unidades comerciais de produção de microalgas e de produtos, por exemplo, para alimentação humana ou animal, com base em microalgas”, esclareceu-nos o mesmo responsável.

Neste momento, aproveitando a evolução ascendente da produção e do interesse em microalgas, a empresa desenvolve “aplicações concretas para gelados, cereais e crocantes, barras e bebidas energéticas, em rações para animais e para aquacultura”, entre outras, admitiu-nos Nuno Coelho.

 

Investigação e desenvolvimento

No plano da investigação, a A4F possui um Laboratório de Inovação (LIL) e uma Unidade Experimental (UEL), ambos em Lisboa.

O primeiro está preparado para investigação e desenvolvimento de microalgas, dotado do equipamento para análises de controlo de qualidade, “ensaios de biologia molecular e com áreas dedicadas à fermentação e à investigação de organismos geneticamente modificados (OGMs)”, referiu o mesmo responsável.

A segunda “é uma unidade piloto de produção e processamento de microalgas”, com capacidade para ensaios de produção de microalgas (incluindo OGMs) em diversos “tipos de sistemas de produção e de processamento de última geração”, esclareceu-nos o CEO da empresa. Aqui se podem testar e optimizar “soluções biológicas e de engenharia para a produção de novas estirpes de microalgas e para a produção de novos produtos”, além de proporcionar “formação de produção industrial de microalgas”, afirmou-nos.

Dedicada, essencialmente, a actividades de investigação e desenvolvimento e à prestação de serviços a clientes que querem testar as suas experiências à escala piloto, a UEL também procede “à optimização de sistemas ou condições de crescimento, à produção de quantidades muito pequenas de uma microalga muito específica ou de microalgas enriquecidas com compostos de valor acrescentado”, entre outros serviços, reconheceu Nuno Coelho.

Esta UEL “é das mais modernas e flexíveis do mundo, com múltiplos e variados sistemas de produção, colheita e processamento, à escala piloto, o que nos permite fornecer serviços quer para clientes, quer para os diversos projectos de investigação e desenvolvimento, nomeadamente os financiados pela CE, em que estamos envolvidos, desde há muito tempo, e tendo como parceiras as mais renomadas instituições de investigação e desenvolvimento da Europa”, informou-nos o mesmo responsável.

 

Projectos de alcance internacional

Os relevantes antecedentes da A4F em projectos de investigação e desenvolvimento tecnológico na produção de microalgas faz da empresa, segundo Nuno Coelho, “uma das PMEs europeias com mais projectos aprovados pela Comissão Europeia no âmbito de vários programas”, como o Algaplex (QREN), Aquafuels, GIAVAP, BIOFAT, PUFAChain, DEMA, ProEcoWine, D-Factory, Photo.Comm (7º Programa Quadro) e PhotoFuel e ALFF (Horizonte 2020).

Um dos projectos mais relevantes da empresa foi a construção da Algafarm, em parceria com a cimenteira SECIL. Neste contexto, a A4F “projectou e construiu a maior unidade de produção de microalgas em fotobiorectores tubulares (até à data de construção)”, porventura uma das maiores do mundo para produção de microalgas em sistemas fechados. Trata-se de uma unidade com capacidade de produção para 100 toneladas/ano de microalgas em pó e de qualidade premium,“devido ao maior controlo de qualidade e de segurança alimentar permitido pela tecnologia em sistema fechado.

Outro grande projecto de produção foi “o desenvolvimento de uma tecnologia de sistemas abertos Cascade Race Ways, na qual incorporamos o nosso know how”, em que o resultado “consiste em sistemas de produção abertos, com elevada eficiência de produção e redução dos custos energéticos”.

A empresa está ainda envolvida em projectos de biorefinaria, “uma tendência mundial, que ditará um exponencial aumento do mercado das aplicações de microalgas”, considera o CEO. A bioengenharia vocacionada para instalação de unidades de produção de microalgas em grande escala para biocombustíveis foi, aliás, o que esteve na origem da A4F. Apesar de continuar a ser interessante, Nuno Coelho considera que “ainda são necessários alguns anos para se conseguir a produção numa escala economicamente viável para este tipo de aplicação”.

 

Mercado externo tem maior potencial

A empresa foi fundada em 2008 e tem instalações em Lisboa e Porto, onde ocupa uma equipa multidisciplinar de mais de 35 colaboradores, dos quais cerca de 80% com mestrados ou doutoramentos, formação em Biologia e Engenharia. Dispõe ainda de acordos de representação em Espanha, no Reino Unido, nos Estados Unidos e no Brasil, o que se justifica no caso da A4F, para a qual o maior potencial está no mercado externo. Apesar de Nuno Coelho reconhecer que existe um interesse crescente em Portugal pelas microalgas, seus produtos e tecnologias derivadas.

Embora possa comercializar algas a granel ou incorporá-las nalgum produto próprio, conforme os interesses dos clientes, a empresa também desenvolve “prospecção de recursos biológicos marinhos para o isolamento de estirpes com interesse comercial ou que sejam capazes de produzir compostos de valor acrescentados para as indústrias bioquímica, farmacêutica e agro-alimentar”, esclareceu-nos o CEO.



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