Mendes Calado aproveitou o discurso de celebração do Dia da Marinha para admitir a necessidade de mais recursos humanos habilitados a operar os meios disponíveis, fazer um balanço da actividade da Marinha em 2018 e considerar que a Lei de Programação Militar recentemente aprovada viabiliza a modernização das capacidades navais nacionais
Mendes Calado
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No seu discurso de celebração do Dia da Marinha, ontem comemorado em Coimbra, o Chefe de Estado Maior da Armada, Almirante Mendes Calado, identificou uma carência superior a 600 militares na Marinha para colmatar a lacuna de recursos humanos habilitados a operar os meios navais e equipamentos disponíveis.

Nesse contexto, afirmou que se constitui “como principal objectivo a aproximação dos efectivos de militares existentes aos efectivos máximos autorizados, como forma de colmatar as insuficiências existentes – mais de 600 militares em falta -, num esforço que congrega as capacidades de recrutar e reter”.

Apesar de reconhecer a existência de um contexto demográfico desfavorável, considerou que “no domínio do recrutamento, a Marinha desenvolveu um esforço interno de potenciação do recrutamento que permitiu, em dois anos, que o preenchimento das vagas disponibilizadas aumentasse de 45 para aproximadamente 99%”.

Além disso, e considerando que é “fundamental, travar a erosão das existências”, afirmou que “no domínio da retenção, o aumento do número de efectivos existentes é essencial para responder a todas as necessidades, tendo como objectivo o equilíbrio estrutural e dos níveis de esforço do capital humano da Marinha”.

Na ocasião, aproveitou para referir que “a recente aprovação, pela Assembleia da República, da Lei de Programação Militar, viabiliza o estabelecimento dos instrumentos financeiros que possibilitam a necessária renovação e modernização das capacidades da Marinha”.

E destacou “os projectos de aquisição dos seis Navios de Patrulha Oceânicos, do Navio Reabastecedor de Esquadra e do Navio Polivalente Logístico, os quais, em conjunto com o programa de modernização das fragatas e o arranque do programa de aquisição de novas fragatas, se caracterizam pela sua utilidade em acções de afirmação de capacidade militar, ao mesmo tempo que possibilitam uma acção célere e eficaz”.

“Concluído o processo de promulgação da Lei, importa dar seguimento à concretização destes projectos estruturantes para o futuro da nossa Marinha, através da materialização de um plano de aquisições que consolidará o cluster da construção militar naval no nosso País, em simultâneo com a criação de oportunidades de cooperação internacional com outras Marinhas”, afirmou Mendes Calado.

Na opinião do Almirante CEMA, esta concretização terá ainda “a capacidade de gerar efeitos multiplicadores no tecido industrial, social e económico, bem como na investigação e desenvolvimento, incluindo uma fonte de emprego especializado capaz de absorver competências e conhecimento das nossas universidades”.

Mendes Calado teve ainda oportunidade para fazer um balanço sucinto da catividade da Marinha em 2018, destacando o cumprimento do Dispositivo Naval Padrão e o salvamento de 320 vidas nas áreas sob responsabilidade nacional, “correspondendo a uma taxa de eficácia do Serviço de Busca e Salvamento Marítimo próxima dos 99%, o que constitui uma referência internacional e um exemplo da excelente cooperação operacional entre a Marinha, a Força Aérea e a Autoridade Marítima Nacional”.

Neste balanço sublinhou também a cooperação com a Polícia Judiciária, essencialmente no “combate ao narcotráfico e à criminalidade em ambiente marítimo”, e a participação em missões de segurança colectiva, plano em que destacou a integração de meios nas forças permanentes da NATO, o empenhamento de uma Força de Fuzileiros na República da Lituânia, a Iniciativa Mar Aberto, o programa de capacitação operacional marítima da Guarda Costeira de São Tomé e Príncipe, entre outras matérias.



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