Oceanário de Lisboa acolheu a apresentação do livro de Álvaro Garrido, «As Pescas em Portugal»
Álvaro Garrido
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Um livro que avalia desde o domínio filosófico português ao domínio da componente científica dos Descobrimentos é um trabalho que lança a base para outras investigações, começou por reflectir o professor Viriato Soromenho Marques, a propósito do livro «As Pescas em Portugal».

A apresentação da obra, que contou com uma conversa entre Viriato Soromenho Marques e Eurico Monteiro, no Oceanário de Lisboa, introduzida por Tiago Pitta e Cunha, foi um momento para clarificar algumas questões deste tão “simples” mas tão complexo livro que foi capaz de acomodar tanta informação de um período lato – dois séculos de políticas publicas – com uma distinta capacidade sintética, desfazendo mitos e identificando ciclos, nas palavras de Eurico Monteiro.

“Se tivesse de resumir a obra, diria que analisa a política pública das pescas como um músico com uma obra para apresentar analisaria a orquestra, com todos os instrumentos que possam produzir o efeito nesta obra: estão lá todas as vertentes das políticas públicas das pescas, no período final da Monarquia, Estado Novo ou agora”, refere Viriato Soromenho Marques.

Ainda assim, refere, é preciso investimento que garanta o conhecimento, é preciso uma vontade política que não se canse, é preciso capital para investir, é preciso organização das empresas do sector, com uma coerência entre a grande e a pequena pesca, qualificação do quadro do pessoal, é preciso uma boa diplomacia do mar, como explica Viriato Soromenho Marques.

Conforme referiu o próprio Álvaro Garrido, autor do livro, que confirmou ter uma relação muito afectiva com os temas marítimos e das pescas, estas são um enorme problema analítico. E o que quis fazer nesta obra foi exactamente tratar as pescas como um facto social total. Pescas enquanto fenómeno e objecto das ciências sociais, como realidade em si mesma que tem dignidade social epistémica, e devolver algo à cultura portuguesa.

O livro, que poderá contribuir para acabar com alguns mitos da pesca portuguesa, foi também considerado uma obra de enorme sobriedade, que muito embora tenha um entusiasmo intelectual do coração pelo tema e um testemunho de uma vida, tem todavia uma recusa total da tendência lendária (tornar em lenda tudo o que apreciamos).

 



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