Perante a retirada da Marinha alemã da missão de combate aos traficantes de pessoas, os armadores germânicos temem a pressão que a decisão exercerá sobre a marinha mercante na área, mal equipada e sem vocação para operações humanitárias de resgate no mar
Associação de Armadores Alemães
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A Associação de Armadores Alemães (VDR, no acrónimo em alemão) lamentou a decisão da Alemanha de abandonar a missão «Sophia» da União Europeia (UE), lançada em 2015 com o objectivo de capturar os traficantes de pessoas no Mediterrâneo e garantir o embargo de armas à Líbia. A decisão implica que a fragata alemã Augsburg, baseada na costa líbia, não será substituída em Fevereiro, embora os 10 soldados germânicos que desempenham funções na sede da operação permaneçam ao serviço até ao final de Março.

Na origem do afastamento alemão estará a conversão da «Sophia», essencialmente, em operações de resgate de migrantes a bordo de embarcações frágeis e sem condições e a tensão que provocou causou na (UE), sobretudo com o Governo italiano, que ameaçou bloquear o acesso dos navios da missão aos portos do seu país, no qual ela está sedeada.

De acordo com o Governo de Roma, a única razão para sedear a missão em Itália foi o facto de a maioria dos migrantes desembarcar naquele país, uma situação que, entretanto, conheceu alterações, face à nova política migratória desenvolvida pelo Executivo italiano. A posição de Itália terá merecido críticas do Governo de Berlim, que acusou Roma de sabotar a missão e reclamou uma clarificação dos seus objectivos.

Perante a retirada da Marinha alemã, a VDR apelou à UE para que resolva o problema do resgate dos migrantes em dificuldades no Mediterrâneo. Embora admitindo compreender a posição do Governo germânico, a associação questiona como é que sem as operações de busca e salvamento levadas a cabo pelos militares, que deixam de ser possíveis por não poderem desembarcar os migrantes em segurança, deve comportar-se a marinha mercante?

Embora mantenha o compromisso dos navios dos seus armadores com o respeito pelo direito marítimo e as obrigações de salvamento no mar que ele impõe, a associação considera que sem a presença dos militares, a marinha mercante, que só raras vezes se viu envolvida em operações deste género no Mediterrâneo, estará sujeita a maior pressão, sobretudo, porque as suas tripulações não estão especialmente treinadas para prestar assistência humanitária aos migrantes nem os seus navios estão equipados para responder às suas necessidades imediatas.

De acordo com relatos divulgados na imprensa, cerca de 50 mil migrantes terão sido resgatados no Mediterrâneo desde o início da «Sophia», em Maio de 2015, dos quais 22.500 terão sido salvos pela Marinha alemã. E na maioria dos casos, têm sido salvamentos muito diferentes de meros socorros a náufragos. Em vez disso, são resgates de centenas de pessoas, em parcas condições de subsistência, incluindo grávidas, crianças, doentes, todos exaustos, desidratados e frequentemente traumatizados.



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