Um projecto português co-financiado por um programa de aceleração de empresas promovido pela Fundação Oceano Azul e a Fundação Calouste Gulbenkian participa numa iniciativa da Agência Espacial Europeia, denominada Kick-Start – Atlantic Area, para estudo da viabilidade técnica e económica da integração de dados locais
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Na última Terça-feira, pela segunda vez no período de oito dias, a Fundação Oceano Azul atribuiu financiamento a projectos científicos relacionados com o mar, um fenómeno raro no panorama do apoio à investigação dos oceanos no nosso país. O nosso jornal acompanhou as cerimónias e aqui fez referência aos contemplados, quer no caso do Blue Bio Value, quer no caso do Fundo para a Conservação dos Oceanos. No primeiro caso, porém, não divulgámos informação mais desenvolvida sobre os eleitos e de que agora dispomos.

Um dos contemplados foi o projecto SEAentia, de que oportunamente falámos a propósito da sua candidatura ao Fundo Azul, ainda antes de serem conhecidos os eleitos do Blue Bio Value, pelo que já não será novidade para os leitores a informação sobre o projecto. Já sobre os dois restantes, estamos em condições de divulgar um pouco mais do que fizemos na última semana.

 

Projecto Undersee

 

Um dos dois restantes contemplados na 1ª edição do programa de aceleração de empresas Blue Bio Value, promovido pela Fundação Oceano Azul e Fundação Calouste Gulbenkian, foi o projecto português, hoje convertido em empresa, Undersee, que, como então escrevemos, desenvolveu “um dispositivo e aplicação para recolher dados de qualidade da água em tempo real”, permitindo “às entidades públicas e empresas de aquacultura acederem a dados da qualidade da água sem necessitarem de fazer manutenção de sensores”, como agora nos referiram os seus responsáveis.

Questionada sobre qual era o seu modelo de negócio, a Undersee esclareceu-nos que é “denominado por PAAS (Product As A Service)”, em que “após definição dos parâmetros a monitorizar e respectivo local”, a empresa procede “à instalação do Undersee_water e mediante uma subscrição anual da plataforma Undersee_cloud”, garante “a manutenção de todo o sistema, hardware e software”.

Nesse contexto, a Undersee que está a iniciar “um novo programa da ESA (Agência Espacial Europeia), Kick-Start – Atlantic Area, um projecto de financiamento de 60 mil euros a 75% não reembolsável, para estudo da viabilidade técnica e económica da integração de dados locais”, recolhidos pelo seu “equipamento (Undersee_water) com dados de satélite (EOD – Earth Observation Data)” na sua “plataforma cloud (Undersee_cloud)”.

Está igualmente a iniciar “um projecto piloto com um utilizador final, que consiste em instrumentar um barco cacilheiro” com Undersee_water, “transformando-o num satélite marítimo de monitorização ambiental, que irá permitir monitorizar a qualidade da água em tempo real e continuamente no rio Tejo durante pelo menos 1 ano e meio”. Tal informação será disponibilizada publicamente na plataforma Undersee_cloud, referiram-nos os responsáveis do projecto.

A Undersee também “a iniciar um novo projecto FCT com duração de 3 anos, o MicroPlastox, juntamente com a Universidade de Aveiro e o CiiMAR que visa o desenvolvimento de metodologias de amostragem pioneiras para a avaliação precisa da prevalência de microplásticos na coluna de água em oceanos”, esclareceu-nos a empresa.

O projecto agora também financiado pelo Blue Bio Value nasceu de uma ideia de 2015, mas que foi rejeitado várias vezes em programas de financiamento, reconhecem os seus responsáveis, que decidiram não desistir. Em 2016, arrancou mesmo, “com a incubação no programa ESA BIC Portugal, cofinanciado pela Agência Espacial Europeia, com um grant de 50 mil euros para desenvolvimento do primeiro protótipo e modelo de negócio”, mas “o financiamento não garantiu todo o desenvolvimento, pelo que o remanescente foi garantido através de capital próprio”.

Neste momento, como já é evidente, a Undersee já está na fase de lançamento do projecto no mercado e a avaliar novas necessidades de financiamento, não para desenvolvimento tecnológico, mas para escalar o negócio”, referem os seus responsáveis. Estão também a “aguardar resposta a um programa de financiamento do Fundo Azul – Edital 6, no âmbito da monitorização ambiental de ambientes marinhos através de dados locais e dados satélite”.

No seu percurso, o projecto tem beneficiado também da colaboração de parceiros, sem os quais não teria sido viável, como o networking e a mentoria “através do IPN, ESA BIC Portugal, Incubadora do Mar e Indústria da Figueira da Foz, bem como do Vodafone Power Lab” e algumas “parcerias para desenvolvimento tecnológico com entidades como o Marefoz, o Cesam, Inesc Centro e Instituto Hidrográfico”, referiram-nos os responsáveis da Undersee

 

Projecto Hoekmine

 

O outro contemplado pelo Blue Bio Value foi o projecto holandês Hoekmine, que os promotores do programa de financiamento consideraram uma “tecnologia altamente inovadora de desenvolvimento de cores com base em bactérias marinhas, substituindo a utilização de químicos, cores que podem ser aplicadas em vestuário, cosméticos, automóveis e muitas outras indústrias”.

Na opinião de Colin Ingham, um dos responsáveis do projecto, esta tecnologia será “disruptiva na indústria da pigmentação”, neste caso, substituindo químicos utilizados na coloração de produtos por bactérias marinhas, e ao fazê-lo contribuirá para tornar essa indústria mais sustentável.

O seu modelo de negócio consiste em produzir biomateriais coloridos de baixo preço, elevado desempenho e alta sustentabilidade, vocacionado para um modo B2B em cooperação com a indústria, esperando alcançar os mercados de tintas e vestuário avaliados entre “100 biliões e multitriliões de euros por ano”, segundo Colin Ingham.

O seu financiamento original, de 100 mil euros, foi assegurado pelo Governo holandês e pelos fundadores. Actualmente, os seus responsáveis mantêm parcerias com investigadores, especialmente da Universidade de Cambridge e da Hogeschool of Utrecht, com algumas indústrias e membros da comunidade artística.

 



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