Numa conferência em Lisboa, António Costa antecipou o que pode ser um dos temas que leva na bagagem para Washington: a entrada de GNL norte-americano na Europa pelo porto de Sines
IAPH
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Uma semana antes de partir em viagem oficial aos Estados Unidos, onde estará de 10 a 16 de Junho, o Primeiro-Ministro António Costa aproveitou a conferência sobre «Os EUA e Portugal, uma parceria para a prosperidade», organizada pela embaixada de Washington em Lisboa e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) para promover o porto de Sines como porta de entrada do gás natural liquefeito (GNL) norte-americano na Europa.

Lembrando que em 2016 o porto de Sines foi o primeiro a receber um carregamento de GNL dos Estados Unidos para a União Europeia (UE) e que a energia é um sector de cooperação estratégica entre Washington e Lisboa, António Costa considerou que aquele porto “tem condições excepcionais para receber, seja para transhipping ou outras formas de distribuição, o gás natural liquefeito dos Estados Unidos”. Uma ideia reforçada com o argumento de que este porto é o que se localiza mais perto das três principais rotas marítimas mundiais: Cabo, Mediterrâneo e transatlânticas.

O Primeiro-Ministro foi ainda mais longe, salientando as características geológicas da região, que permitem armazenar um grande volume de GNL antes da sua distribuição na Europa, e o interesse estratégico europeu em ter mais uma fonte de abastecimento energético, a par da Argélia e da Rússia. Face à dependência energética externa da Europa, este último argumento revela-se de particular importância para Portugal e a UE e confere ao porto de Sines um papel estratégico.

A presença da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino na conferência, na qual abordou a mesma questão, é medida do empenho português na proposta do Governo ao mercado norte-americano. Aos argumentos de António Costa, Ana Paula Vitorino acrescentou que “isto é um sinal forte que o nosso posicionamento geoestratégico marítimo e as nossa infra-estruturas portuárias abrem possibilidades estrondosas para Portugal se tornar num hub vibrante e ponto de serviço para navios que vão transportar GNL no futuro”.

O convite aos Estados Unidos para usarem o porto de Sines como porta de entrada do seu GNL na Europa surge num contexto comercial complexo e meses após o Governo ter promovido o mesmo porto junto do Governo chinês, embora numa vertente diferente, mais relacionada com o transporte de carga contentorizada. Uma investida que teve ontem mais um episódio, em Xangai, onde a ministra do Mar, acompanhada pelo presidente da Administração do Porto de Sines e do Algarve (APS), José Luís Cacho, foi recebida por representantes da COSCO Shipping Lines.

No contexto actual, a manobra de diplomacia económica de Lisboa junto de Washington não se afigura fácil. Representando, em certa medida, os interesses europeus numa diversificação do abastecimento energético, António Costa não deixa de ser um rosto europeu no meio da guerra comercial que se avizinha entre os Estados Unidos e a Europa, na sequência do anúncio de taxas sobre as importações norte-americanas de aço e alumínio europeias (entre outras) às quais Bruxelas já prometeu retaliar.

 



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