Um centro inter-governamental de partilha de informação alertou os navios a operarem em Sabah, na Malásia, contra a eventualidade de um ataque pirata por parte do grupo armado Abu Sayaf
ReCAAP

No dia 1 de Maio, o Regional Cooperation Agreement on Combating Piracy and Armed Robbery against Ships in Asia (ReCAAP), um centro inter-governamental de partilha de informação contra a pirataria marítima na Ásia, emitiu um alerta sobre um possível ataque de piratas por parte do grupo armado Abu Sayaf, na Malásia, nas 24 horas posteriores ao aviso.

Segundo a comunicação do ReCAAP, elementos do grupo usariam uma lancha rápida e estariam a dirigir-se a Sabah, a norte de Bornéu, na Malásia, com o propósito de executar uma operação de rapto de marítimos que se encontram na região. Pelo que foi feito o aviso a todos os navios a operarem nas águas de Lahad Datu, em Sabah, para tomarem precauções.

O grupo Abu Sayaf, islâmico fundamentalista e originário das Filipinas, é considerado extremamente violento e famoso por executar raptos visando a obtenção de resgates a troco da entrega dos reféns. Os sequestrados por este grupo são geralmente sujeitos a longos cativeiros e por vezes executados. Actualmente, face à política do Governo filipino de não pagar resgates, o risco de uma acção particularmente violenta é elevado.

De acordo com o World Maritime News, os corpos decapitados de dois marítimos foram encontrados pelos militares filipinos em Julho de 2017 e um foi alegadamente morto durante um tiroteio no mesmo mês. Outros dois terão sido salvos, permanecendo desconhecido o paradeiro de um outro.

Além disso, segundo o Maritime Executive, o grupo efectuou 17 ataques com êxito em Sabah entre Abril de 2016 e Abril de 2017, mas desde então não completou nenhum, de acordo com dados da Stratfor, uma plataforma de informações geo-políticas norte-americana.

O Maritime Executive refere também que tem sido realizado um esforço multi-nacional para impedir os piratas de promoverem ataques e sequestros, mas que tal não fez desaparecer o risco, pois o grupo continua a monitorizar os navios e a identificar oportunidades de raptos. Sem esquecer que ainda detém alguns reféns resultantes de assaltos anteriores.



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