A mais recente operação japonesa de caça à baleia, designada como missão científica, arrancou esta semana sob avançadas medidas de segurança dos militares japoneses, que procuram evitar o contacto com navios de organizações internacionais de defesa do meio marinho
Caça à baleia
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O Japão pretende continuar a sua contestada captura de baleias, alegando uma “missão científica”, na Antártida, segundo o World Maritime News. Esta semana, enviou uma frota para prosseguir as operações, que partiu do porto de Shimonoseki com o objectivo de capturar 333 baleias Minke até Março de 2018, declarando que o Instituto Japonês de Pesquisa de Cetáceos irá recolher dados científicos necessários para uma posterior avaliação e administração do ecossistema marinho na Antártida.

De acordo com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nova Zelândia, Winston Peters, a decisão do Japão vai contra a opinião internacional, contra a Comissão Baleeira Internacional (CBI) e contra todo e qualquer parecer científico, acrescentando que o Japão pode atingir os objectivos que diz serem os causadores deste “crime” de outra forma que não esta prática desactualizada.

Como se isto não bastasse, as autoridades japonesas aumentaram este ano a defesa destas operações, enviando forças militares para vigiar os movimentos dos navios da organização Sea Shepherd, que tentavam impedir a caça das baleias pelos japoneses. O Japão chegou mesmo a aprovar novas leis anti-terrorismo que lhe permitem deslocar militares para este efeito.

“Durante a Operação Nemesis, os navios da Sea Shepherd chegaram perto e o nosso helicóptero até conseguiu provar operações de caça à baleia ilegal”, mas não foi possível enfrentar a tecnologia usada pelos japoneses, designadamente de vigilância por satélite em tempo real, para detectar os navios da organização e escapar à sua interferência, referiu a Sea Shepherd, citada pelo jornal.

Recorde-se que o Tribunal Internacional de Justiça, com sede em Haia, já tinha deliberado que o principal programa de «actividade baleeira para fins científicos» do Japão era ilegal, pois não apresentava qualidade científica suficiente que justificasse ser para «fins de investigação científica». Além disso, não se demonstrou a necessidade de amostragem letal para atingir os objectivos científicos declarados, o que não impediu o Japão de retomar, em 2016, as operações “para fins científicos” na Antártida e de a ter prosseguido em 2017 “com base num novo programa e sem seguir o processo de avaliação revisto para as licenças de actividade baleeira conforme solicitado pelas resoluções da CBI, relativamente às quais o Japão formulou objecções”, referiu o Conselho da União Europeia em Setembro deste ano.

Todos os anos, o Japão caça centenas de baleias aproveitando-se da “investigação científica”, uma excepção prevista na moratória da CBI à caça comercial, em vigor desde 1986. Em 2008/2009, as embarcações japonesas mataram 1003 baleias, ou 52% das 1929 baleias caçadas em todo o mundo. O número para a época de caça de 2009/2010 é de 850 baleias-anãs e 50 baleias-comuns. A Austrália e a Nova Zelândia já anunciaram expedições para demonstrar que é possível estudar baleias sem as matar e agora denunciaram o país.

A última reunião do CBI foi em Setembro deste ano e dedicou-se às questões de sustentabilidade, definindo limites de captura, designando áreas e espécies interditas, bem como regulamentação da práctica para fins de investigação científica, que o Japão parece não estar cumprir.



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