O trabalho que está a ser feito em Setúbal na promoção do turismo náutico e da náutica de recreio é a longo prazo, mas já é alvo de alguns investimentos
Porto de Setúbal
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Setúbal está a celebrar a Semana do Mar, uma semana repleta de actividades, mas também de momentos de encontro entre vários interessados no mar. Na passada Terça-feira iniciou-se o evento, com um seminário sobre o mar – «Setúbal, Porto e Cidade – Crescer em Conjunto».

A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) está a trabalhar para o futuro no que respeita o turismo marítimo, a náutica de recreio e os desportos náuticos, um dos temas debatidos no seminário. Neste sentido, há vários projectos em curso. José Gonçalves, do Gabinete de Turismo da Câmara Municipal de Setúbal, numa intervenção no seminário, afirmou ter já certa a localização para uma nova marina. Com o concurso a decorrer, ainda este ano se avança.

O mesmo responsável lembrou que tem sido feito trabalho nas praias como a Praia de Albarquel ou a da Saúde – “pela primeira vez em 40 anos terá saneamento básico” – sublinhando que dia 29 de Maio foi assinado o projecto e no dia 30 de Maio a Capitania e a APSS já estavam a trabalhar no local.

Também o Parque de Campismo, ex-propriedade da APSS, que cedeu a concessão à autarquia, neste momento, conta já com bungalows e restaurantes. No dia 1 de Março de 2018, deverá abrir todas as suas valências.

A Boat Center, empresa no mercado desde 2000, com natureza familiar e marcante presença internacional, igualmente presente no seminário, “nutre pela náutica de recreio um carinho muito importante”, o que faz os seus responsáveis entenderem o negócio de um modo interessante e especial, como refere Pedro Vale, seu principal responsável.

O seu objectivo, que é proporcionar diversão às pessoas e às famílias  – com barcos que têm para alugar ou com estaleiro em doca seca, preparado para colocar os barcos na água –, aproxima os clientes não só de Setúbal como de Lisboa e até de Castelo Branco. E são estas peculiaridades que fazem com que a actividade possa contribuir para o desenvolvimento com clientes estrangeiros na cidade. Com o seu espaço lotado no porto de Setúbal, a empresa tem um projecto novo e um pedido de mais espaço em Setúbal.

Retirar alguma sazonalidade às questões náuticas (tornando possível que as pessoas usem o barco também fora da época balnear), é uma das mais-valias da empresa, que oferece barcos com ou sem skipper, e tem preocupações ambientais, pois tem barcos eléctricos.

Ao nível da organização urbanística, José Pedro Rodrigues, consultor de planeamento urbano e também presente no seminário, afirmou que estamos com algum atraso quando nos esquecemos da escala regional em favor da escala autárquica. E ainda para mais quando o turismo é, provavelmente, uma das actividades que tem gerado mais economia para Portugal. José Pedro Rodrigues considera que, por exemplo, na região de Lisboa, faltam infra-estruturas, o que se lamenta porque é um local com condições únicas. E fez um apelo: deixemos de olhar apenas para as nossas próprias preocupações e pensemos em conjugar as várias actividades e indústrias de negócio para melhorar Portugal.

Actividades como as experiências que se fazem no mar, vindo a terra só em ultimo recurso, que têm crescido bastante nos últimos dois anos, também poderiam ser mais visíveis em Setúbal. Mesmo as áreas da manutenção e dos serviços são desvalorizadas, apesar de importantes. Os investimentos nas marinas, que também nunca foram uma grande aposta, começam agora a comprometer-se. Com este “quadro geral” há que trabalhar muito neste sentido.

A última questão, e que gerou alguma discordância, foi a dos Mega Yachts. Há quem defenda que antes de se criarem infra-estruturas, há que esperar que esse mercado chegue a Portugal. Mas há quem defenda o contrário: que têm de ser criadas infra-estruturas, exactamente para chamar esse mercado a Portugal. Um mercado que se quer histórico, de certa forma, completo com serviços e com bons locais marítimos para passear.



Um comentário em “Setúbal pode ser um centro de turismo náutico?”

  1. J Fonseca Pascoal diz:

    Presença oportuna e útil do vosso jornal.
    Temo, no entanto, que muito não passe de declarações de intenção usadas em momento oportuno. As coisas de menor dimensão e custo, como referiu um nauta de recreio presente, não são resolvidas e os anos passam, com a APSS sem vocação para a náutica de recreio a emperrar o sistema é a impedir que outros façam. Exemplos: onde está a rede de proteção e o sistema de vigilância prometido há anos, por escrito, da famigerada “doca dos limões”?… quem é o responsável da eliminação de mais de uma dúzia de lugares de amarração naquela doca, por as obras de recuperação do molhe terem sido mal executadas? E porque nada é feito para resolver ou aproveitar o local para embarcações de menor dimensão? Ali está aquilo vazio e abandonado, sem qualquer rendimento para a APSS e prejuízo para quem precisa de lugares de amarração… As listas de esperas para as Fontainhas e Limões tem centenas de nautas há mais de uma dúzia de anos a aguardar e nada acontece. Como é possível haver na APSS alguém que na docs diz a um cliente que lhe solicita que verifique a dificuldade de amarração no local que não é pago para se levantar da cadeira onde está sentado no “escritório” da doca de recreio? A Administração da APSS não sabe e eventualmente também não quer saber o que se passa. Não tem vocação, no meu entender, para a náutica de recreio.
    Daí ter sido referido que deviam abandonar as “obras megalómanas” (a expressão é do nauta que tomou a palavra) e não melhorarem o que já existe… o que seria rápido e barato. Mas não há interlocutores para os nautas, tratados sempre com arrogância e até desprezo pelos colaboradores da APSS. Assim não vamos lá…

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