Numa intervenção pública sobre a relação entre o porto de Setúbal e a região em que está integrado, o antigo ministro da Economia destacou a importância daquela infra-estrutura na internacionalização da cidade e do território que a rodeia. Porque um porto é um intermediário entre o mar e a terra e o mar já não é o parente pobre da terra, como outrora se pensou
Augusto Mateus
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“Setúbal é uma cidade completa e com capacidade para seguir uma estratégia onde o importante é a internacionalização e que isso possa gerar riqueza capaz de sustentar os aspectos mais qualitativos da integração territorial, da justiça social e da sustentabilidade”, referiu Augusto Mateus, consultor e antigo ministro da Economia, numa intervenção dedicada ao tema «Aprofundar Estratégias Comuns – entre os planos estratégicos dos portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra e o município de Setúbal», no seminário sobre a relação entre Setúbal e o seu porto, que decorreu esta semana no âmbito da 4ª edição da Semana do Mar de Setúbal.

Durante grande parte da sua intervenção, Augusto Mateus destacou a importância da internacionalização para o desenvolvimento e a coesão social de Setúbal, na qual o porto setubalense tem um relevante papel a desempenhar. Segundo afirmou, é na internacionalização que Setúbal pode valorizar os recursos que tem, incluindo o seu capital natural, um dos seus trunfos e que deve ser aproveitado, e encontrar oportunidades para requalificar pessoas e infra-estruturas. Mas para isso, importa estar atento ao que está a suceder, porque o mundo está em transformação, pelo que os investimentos devem ser no futuro, mais do que no passado.

Para cumprir esse desígnio, Setúbal beneficia da sua localização geográfica, ela própria beneficiária das vantagens da fachada atlântica de Portugal. Que, segundo afirmou, “é essencialmente atlântico” e não é um país periférico, pois está na convergência de rotas comerciais marítimas internacionais. Recordou também que “durante muito tempo, o importante era o que se passava em terra e a água não era um trunfo”, para sublinhar que “um porto é uma relação entre o hinterland e o forland, entre a terra e o mar, com um papel de intermediário”. Um papel que cabe ao porto de Setúbal desempenhar. E nesse contexto, aproveitou para lembrar que hoje em dia o comércio internacional faz-se mais orientado para os produtos intermédios, ou seja, inacabados, do que para os produtos acabados.

Mas como, segundo entende, cada vez mais os serviços ganham terreno aos bens entre os consumidores (sobreposição do valor sobre o volume), importa estar atento a esse fenómeno. A esse propósito, referiu que o turismo é um factor a considerar e lembrou que em Portugal, o consumo privado feito por não residentes representa 10% do total, contra 90% do que é feito pelos residentes, e essa percentagem está a aumentar. Face a esse factor e à importância crescente do elemento fruição sobre a aquisição, o porto de Setúbal não se deve alhear da componente turística que pode integrar e na qual, conforme lembrou no mesmo seminário a presidente da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), Lídia Sequeira, o porto setubalense já está fortemente envolvido.

Quase a finalizar a sua intervenção, Augusto Mateus referiu que vê “com apreço os esforços realistas que estão a ser feitos sem ilusões nem pressas provincianas, para uma efectiva colaboração entre margens de rios para além dos locais, naquilo que é a configuração de um grande porto internacional de uma grade capital europeia, com a particularidade de que às portas dessa grande região temos o porto de Sines”, que não deve ser apoucado porque vai ter êxito, sobretudo se alargar o seu hinterland.



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