Catherine Chabaud, antiga navegadora e jornalista, esteve em Portugal como representante do Governo francês no «Oceans Meeting 2017» e falou com o nosso jornal. A mensagem que aqui deixou, bem como no encontro ministerial, foi a de mobilização em prol de uma economia do mar sustentável
Catherine Chabaud
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Numa intervenção de três minutos na reunião ministerial que decorreu no passado dia 8 de Setembro, em Lisboa, no âmbito do «Oceans Meeting 2017», promovido pelo Governo português, Catherine Chabaud, Delegada para os Assuntos do Mar em França e em representação do Governo francês, apelou à mobilização internacional em favor de uma economia do mar sustentável baseada no conhecimento.

Em declarações exclusivas ao nosso jornal, a antiga navegadora considerou que “temos que nos comprometer colectivamente, porque os oceanos não têm fronteiras” e constituem o “segundo pulmão do planeta, a seguir às florestas”. A mesma responsável entende que hoje “todos os países têm consciência de que temos um futuro nos oceanos” e de que os recursos que encontramos na terra também os temos no mar.

Referiu-nos igualmente que existe a consciência de que os oceanos são impactados pela poluição dos navios e das actividades em terra, bem como por uma poluição difusa que atravessa o mar. “Devemos mobilizar-nos para reduzir a poluição e desenvolver uma economia marítima mais sustentável”, assente no “transporte marítimo menos poluente, numa aquacultura sustentável, numa pesca sustentável e num turismo sustentável”, afirmou-nos.

Ideias que partilhou na sua intervenção na reunião ministerial do «Oceans Meeting 2017», quando afirmou que o mar “é terrivelmente impactado pela poluição”, maioritariamente proveniente de terra (80%, segundo nos adiantou), e que o mar cura, alimenta e garante o equilíbrio climático.

Catherine Chabaud referiu-nos também que “o mar é uma matéria que pode ajudar a refundar a Europa” e defendeu a criação de “uma agência europeia para o mar, que não existe”, do mesmo modo que foram criadas agências para a segurança marítima ou a exploração espacial, “mutualizando a investigação oceanográfica, a luta contra os resíduos e a reciclagem de navios em fim de vida”, por exemplo.

Em França, Catherine Chabaud responde directamente junto do Ministério da Transição Ecológica e Solidária, dirigido por Nicolas Hulot, que tutela os assuntos marítimos e pretende aplicar a estratégia francesa para o mar e o litoral definida pelo Governo anterior. Uma estratégia que assume especial importância na medida em que a França tem jurisdição sobre cerca de 11 milhões de quilómetros quadrados de mar (a segunda maior área marítima do mundo) e possui a segunda maior armada europeia, além de uma presença de referência no transporte marítimo internacional.

Nesse contexto, as prioridades de França são desenvolver as energias marítimas renováveis, a aquacultura sustentável, o turismo, os grandes portos comerciais, os navios do futuro, a investigação oceanográfica e as áreas marinhas protegidas, bem como mobilizar o litoral para fazer do mar um projecto territorial.

Questionada sobre a posição da França sobre a decisão do Presidente Donald Trump de abandonar o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, Catherine Chabaud remeteu-nos para o convite de Emmanuel Macron ao Presidente dos Estados Unidos, que considerou uma resposta francesa, e manifestou o desejo de que Donald Trump mude de opinião, ate porque há objectivos que não são possíveis de atingir sem os Estados Unidos.



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