Decididamente, a guerra aos microplásticos nos oceanos está a mobilizar a comunidade científica em todo o mundo e Portugal não é excepção. Depois da descoberta da UA, o Observatório Oceânico da Madeira participa num consórcio europeu para desenvolver o «GoJelly», uma solução à base de medusas com potencial para filtrar a poluição dos microplásticos
CERES
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No período de poucos dias e tal como a Universidade de Aveiro, à qual o nosso jornal fez referência ontem, outra instituição científica portuguesa surge associada a pesquisas relacionadas com o combate aos microplásticos nos oceanos.

O Observatório Oceânico da Madeira (OOM) vai receber 400 mil euros de financiamento para o projecto científico «GoJelly – a gelatinous solution to plastic pollution», no âmbito de uma verba global de 6 milhões de euros atribuída pela Comissão Europeia (CE) a um consórcio europeu que se vai dedicar a esta investigação, no quadro do programa Horizonte 2020.

Segundo informação prestada pela Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação Tecnologia e Inovação (ARDITI), da qual o OOM é uma unidade de investigação, o consórcio é ainda composto por entidades da Alemanha, Noruega, Itália e China, num total de 15 parceiros, nos quais se incluem também o Geomar (Alemanha) e o Sintef (Noruega).

O projecto foi aprovado há dias pela CE e deverá arrancar dentro de um ou dois meses, após o que decorrerá durante três anos, segundo nos esclareceu Rui Caldeira, Director do OOM. O kick-off será dado num encontro previsto, precisamente para a Madeira, que participará pela primeira vez num projecto da chamada economia azul no âmbito do Horizonte 2020.

Além do financiamento de que dispõe para a sua tarefa neste projecto, o OOM poderá beneficiar da complementaridade de esforços com outras pesquisas em curso na instituição. Actualmente, o OOM tem uma carteira de projectos a três anos estimada em 3,8 milhões de euros, na qual se integra o «GoJelly».

O «GoJelly» visa “desenvolver, testar e promover uma solução gelatinosa que será processada através de matéria-prima proveniente de medusas (jellyfish) para servir de filtro à poluição de microplásticos”, explica a ARDITI.

Com recurso a uma equipa multidisciplinar e internacional, o consórcio quer atingir “dois objectivos de uma só vez, removendo (e limpando) do oceano microplásticos que são já considerados uma ameaça global, aproveitando a matéria-prima das medusas, muitas delas espécies invasoras e autênticas pragas nos oceanos”, refere a ARDITI.

Em Portugal, os investigadores responsáveis associados ao projecto são João Canning Clode, Coordenador do pólo da Madeira do MARE, e Carlos Andrade, Director do Centro de Maricultura da Calheta. Por enquanto são os únicos membros da equipa, mas conforme nos referiu João Clode, está em perspectiva a contratação de mais três elementos. O investigador não exclui a complementaridade de esforços dos laboratórios de cada uma destas entidades na investigação.

No âmbito do projecto, a tarefa específica desta equipa será a captura e aquacultura das medusas, à escala não só da Madeira, mas de todo o consórcio.

João Clode esclareceu-nos igualmente que além dos objectivos específicos que se pretendem alcançar com o projecto, também está em perspectiva o aproveitamento da matéria-prima das medusas na cosmética, na gastronomia, na nutrição e como fertilizante agrícola.



Um comentário em “Observatório Oceânico da Madeira entra no combate aos microplásticos”

  1. Carlos Andrade diz:

    Surpreendido como voam rápido as notícias. Gostei do artigo. Conciso e info qb.

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