O II Encontro dos Clubes de Estudantes da AFCEA em Portugal foi uma oportunidade para discutir métodos de recrutamento profissional entre empresas tecnológicas e jovens estudantes e investigadores. A par da apresentação de projectos dos clubes de estudantes da AFCEA e de uma intervenção de um elemento da DGRDN sobre estratégia, projectos e meios de financiamento
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Responsáveis de quatro conhecidas empresas tecnológicas instaladas em Portugal participaram recentemente no II Encontro dos Clubes de Estudantes da AFCEA (Associação para as Comunicações, Electrónica, Informações e Sistemas de Informação para Profissionais), num raro momento em que, reunidas, prestaram publicamente esclarecimentos a estudantes e jovens investigadores sobre o recrutamento e enquadramento profissional de recém-licenciados em disciplinas tecnológicas.

Nuno Vinagre, da Critical Software, Pedro Nunes, da Edisoft/Thales Group, Hélder Alves, da Indra, e Pedro Sinogas, da Teckever, sob moderação de Carlos Sezões, da Stanton Chase International, apresentaram as suas empresas e os factores que as levam a recrutar determinados candidatos para as suas fileiras.

Um factor quase consensual é o enquadramento cultural do candidato no perfil da empresa, associado a experiências pessoais ou profissionais no estrangeiro. O conhecimento de modos diferentes de fazer as coisas, a abertura de espírito a culturas diferentes e o domínio das línguas são considerados vantagens, até porque, num cenário de internacionalização de negócios, os profissionais podem ser solicitados a desempenhar funções fora do país.

Outro factor geralmente considerado relevante no recrutamento é a capacidade cognitiva, a agilidade mental associada à capacidade de resolver problemas, preferencialmente num curto período. Aquilo que na gíria do meio se designa simplesmente por problem solving.

Questionados por jovens investigadores presentes sobre o papel de elementos séniores e, nalguns casos, ex-militares, entre os seus quadros, os empresários explicaram os motivos. Pedro Sinogas admitiu que a sua empresa tem um programa formativo para pessoas que vêm de meios mais experimentados e o recurso a antigos militares no acompanhamento de colegas civis. Sobretudo, quando as tecnologias em investigação ou produção têm componentes de segurança (sobretudo no plano da security, mas também no da safety).

Os estudantes da audiência também mostraram interesse em conhecer a importância atribuída pelas empresas à existência de doutorados entre o seu pessoal. Nuno Vinagre recordou que a Critical Software foi criada por quatro doutorados, mas também revelou que conhece um doutorado em Física que exerce funções comerciais. Sem prejuízo de admitir que um doutoramento é mais valorizado do que um mestrado, Pedro Nunes referiu que na sua empresa não é isso que distingue os profissionais, mas sim o seu perfil. E Pedro Sinogas admitiu que a sua empresa tem doutorados.

Os empresários admitiram a existência de programas formativos internos para os recém-licenciados que recrutam. Hélder Alves referiu que a Indra, com um volume de negócios mundial da ordem dos milhares de milhões de euros, investe cerca de 6% a 8% em Investigação & Desenvolvimento (I&D) e que em Portugal, a filial mais antiga da empresa, existe uma Academia Júnior, que acompanha e mantém relações com o meio académico, na perspectiva de identificar jovens talentos nas áreas da Engenharia (Informática, Electrónica e Aerospacial) e Economia Digital. “Este ano, temos um plano para incorporar 20 jovens recém-licenciados”, revelou.

Nuno Vinagre esclareceu que a sua empresa também tem uma academia de talentos, até porque “a escola nunca acaba”, referiu. E acrescentou que a empresa possui um laboratório “para explorar ideias não aproveitadas” e que funciona como uma espécie de escape criativo para diversões de engenharia.

O encontro serviu igualmente para os três núcleos portugueses de estudantes da AFCEA apresentarem os seus projectos de I&D: a Escola Naval, a Universidade da Beira Interior e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (esta última, na impossibilidade de ter representantes no encontro, esteve virtualmente presente, através de uma apresentação em vídeo). Foram também entregues prémios pela AFCEA e procedeu-se à tomada de posse dos novos presidentes dos clubes de estudantes.

Houve ainda lugar a uma apresentação por parte de Amaral Arsénio, da Direcção-Geral de Recursos da Defesa Nacional (DGRDN), que falou das atribuições daquela entidade, da estratégia de I&D para o sector da Defesa, de projectos em curso e/ou em fase de aprovação, de mecanismos de financiamento nacionais ou internacionais. E das oportunidades que se deparam no plano da Defesa para o sector da I&D.



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